terça-feira, 31 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Como Nossos Pais
Eu aprendi muita coisa nesses 30 dias em que passei falando sobre músicas que são tão importantes para Música Popular Brasileira. Algumas eu não fazia ideia de como foram criadas, como, por exemplo, é o caso de Arrastão, Atrás da Porta, Águas de Março e Carinhoso, enquanto outras, como These Are The Songs, Doce de Pimenta, Alô Alô Marciano, Aquele Abraço e outras eu já conhecia a história há algum tempo.
Além de compreender melhor essas músicas, eu também tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre os compositores e me aprofundar mais nas circunstâncias em que Elis se encontrava tanto na carreira quanto na vida pessoal quando as gravou.
Eu guardei essa música para ser a última postagem da série 30 músicas de Elis Regina que entraram para a história por ser sem dúvida a mais famosa de seu principal show, o Falso Brilhante, e que a maioria das pessoas sabe a letra praticamente inteira.
Como tanto a expectativa do primeiro quanto a do último post de uma série é de que ele deve ser marcante, nada melhor do que deixar o principal sucesso para encerrar com chave de ouro e também aumentar a curiosidade dos leitores para saber se eu realmente deixaria um clássico desses de fora da lista. E agora, vamos falar sobre a música.  
Lançada por seu compositor, Belchior, em seu LP Alucinação, de 1976, ela foi regravada no mesmo ano por Elis Regina para o LP com o repertório do show Falso Brilhante, que estreara no ano anterior e do qual a música obviamente já fazia parte.
O espetáculo Falso Brilhante, que contava a vida, a carreira de Elis, e, é claro, criticava a Ditadura Militar, estreou no Teatro Bandeirantes, em São Paulo, em 17 de Dezembro de 1975, permanecendo em cartaz até 18 de Fevereiro de 1977, completando 14 meses de apresentação e mais de 250 apresentações.
Como Nossos Pais, que se tornou não só o destaque do show como também da carreira de Elis em si, era uma dura crítica a Ditadura e também as pessoas, pois dá a entender que as pessoas não abrem a mente para coisas novas, cultuando assim as mesmas pessoas há tempos sem ver e dar a devida importância ao novo e também que elas precisaram mudar seu jeito de viver por conta da vitória militar e da censura.
Essa música, que se mantém por décadas na lembrança das pessoas e chega ao conhecimento daqueles que, como eu, não conheceram Elis enquanto ela estava viva, talvez tenha conseguido essa façanha pela voz da cantora, mas, pelo menos para mim, o motivo não é só esse: Como Nossos Pais faz com que a gente entenda um pouco mais o que era a falta de liberdade e o Brasil daquela época.  
Como eu já disse uma vez aqui no blog, no post Um Dia, foi com essa música que eu comecei a conhecer Elis Regina de verdade, e esse também foi um dos motivos que me fez encerrar essa série com ela. (Para ver o post Um Dia, clique aqui: http://vitrinempb.blogspot.com/2012/01/um-dia.html).
Além de fazer parte do show, Como Nossos Pais fez parte de um compacto simples e do LP Falso Brilhante, ambos gravados em 1976.

E agora, para encerrar a lista, segue abaixo o antológico clipe de Como Nossos Pais que Elis regina gravou para o Fantástico. Espero que vocês tenham gostado das 30 músicas de Elis Regina que entraram para a história!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Me Deixas Louca
A música do mexicano Armando Manzanero, cuja versão que conhecemos foi feita por Paulo Coelho, foi a última música que Elis Regina gravou, em 1981, quando Daniel Filho pediu para que ela gravasse o bolero para fazer parte da novela Brilhante, de Gilberto Braga.
Me Deixas Louca foi o tema do casal de protagonistas Luiza e Paulo, interpretados por Vera Fischer e Tarcísio Meira respectivamente, os quais no fim da novela fizeram uma homenagem a Elis, que havia morrido há pouco mais de dois meses.
Curiosamente, o clipe dessa música, que Elis Regina gravou em 3 de dezembro de 1981 para o Fantástico, só foi ao ar depois de sua morte, em janeiro de 1982, com a desculpa de que a gravação não havia agradado a direção da emissora pelo fato de eles terem considerado que ela estava visivelmente enfraquecida.
Além de fazer parte da trilha sonora da novela Brilhante, Me Deixas Louca também fez parte do LP Trem Azul, lançado somente após a morte da cantora.

O vídeo abaixo é o famoso clipe do Fantástico gravado em 3 de dezembro de 1981 e que a direção da Globo vetou, resolvendo levar ao ar em 24 de Janeiro para esfregar na cara das concorrentes que tinha imagens inéditas da cantora. 

Semana Tom Jobim

Desafinado
Até hoje considerada um clássico da Bossa Nova pela interpretação de João Gilberto e uma letra considerada diferente para os padrões da época, a música foi composta em 1958 por Tom Jobim e Newton Mendonça, que tem fama de ser o injustiçado da Bossa Nova.
Apesar de ter sido um dos precursores e mais importantes letristas do movimento, Newton nunca teve o reconhecimento histórico que merecia, vindo a ganhar uma biografia somente muitos anos após sua morte, em novembro de 1960, aos 33 anos.
Agora, uma curiosidade: Newton Mendonça foi o responsável por imortalizar em Desafinado a câmera fotográfica Rolley-Flex, e essa homenagem tem uma história bastante incomum: O verso foi inspirado em um momento maternal de sua esposa, que dava mamadeira ao filho do casal quando foi fotografada pelo marido, com quem estava brigada há uma semana por ter dado uma palmada no filho, pois este chorava insistentemente de madrugada. A foto, feita com uma câmera Rolley – Flex que Newton havia comprado há pouco tempo, ficara muito boa, promovendo, além do famoso verso da música, a reconciliação do casal.
O verso foi vetado inicialmente por Tom Jobim, com o argumento de que as pessoas não iriam entender o verso por não fazer ideia do que era uma Rolley - Flex, mas acabou cedendo depois de muita insistência de Newton, de quem era amigo desde a infância.
Em 1959, a música fez parte do antológico disco Chega de Saudade, marcado para sempre na história da música brasileira como o surgimento oficial da Bossa Nova e também como o lançamento de João Gilberto para o mundo.  

No vídeo abaixo, os já consagrados Tom Jobim e João Gilberto se reencontraram mais de 30 anos depois para interpretar Desafinado e outras músicas que sempre farão parte da História da Música Brasileira. 

domingo, 29 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Arrastão 

Considerando o fato de que Arrastão foi o primeiro grande sucesso de Elis Regina, é claro que ela tinha que ter um lugar entre as 30 músicas da cantora que entraram para a história.
De Edu Lobo e Vinícius de Moraes, essa música nasceu em uma festa na casa da família Caymmi (criada em um lugar como esse, só podia se transformar no sucesso que foi), quando se cantava o trecho “Temporal”, terceira parte da “História dos Pescadores”. Ao improvisar contracantos para os nomes dos pescadores, Edu Lobo percebeu que estava nascendo uma nova música sob a inspiração do mestre Caymmi, e então ele guardou a ideia, completou a música depois e mostrou a Vinícius quando este voltou de viagem.
Como o poetinha não gostava de trabalhar com gravação de fita, ele foi fazendo a letra, enquanto Edu Lobo tocava a música ao violão. E assim surgiu aquela que, embora simples, foi precursora da Música Popular Moderna, cuja sigla era MPM.
Entretanto, apesar de ser uma novidade na Música Popular Brasileira da época, Arrastão não conquistou facilmente o I Festival Nacional da Música Popular Brasileira da TV Excelsior, pois Lívio Rangan, diretor da Rhodia, patrocinadora do Festival, fez de tudo para que a música defendida por Simonal, Cada vez mais Rio, de Luiz Carlos Vinhas e Ronaldo Bôscoli, fosse a vencedora.
Após a vitória de Arrastão no Festival da Excelsior, em 6 de abril de 1965, não só a vida da até então cantora gaúcha que havia saído do Beco das Garrafas com Ronaldo Bôscoli e que anos mais tarde se tornaria uma lenda na MPB, Elis Regina, como a de Edu Lobo mudaram radicalmente. Dias depois, a pimentinha (apelido dado por Vinícius de Moraes) foi a estrela de um show no Teatro Paramount intitulado Dois na Bossa e rendeu um LP homônimo e um contrato com a TV Record.

O vídeo a seguir não está com a música completa, pois a maioria das imagens desse Festival foram queimadas no incêndio que a TV Excelsior sofreu em 1969.

sábado, 28 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

O Bêbado e a Equilibrista
Essa música, eternizada na história da Música Popular Brasileira como o hino da anistia, foi composta por João Bosco e Aldir Blanc e lançada em 1979 pelo primeiro no mesmo ano, no LP Linha de Passe.
A música, que era uma homenagem a Charles Chaplin, que havia morrido em Dezembro de 1977, pedia também pela volta do sociólogo Betinho, irmão do cartunista Henfil que exilado desde 1971 por ser um ativista político.
Aliás, uma curiosidade: O Bêbado e a Equilibrista se tornou um ícone da MPB pela voz da mesma Elis Regina que Henfil enterrou em sua coluna “Cemitério dos Mortos Vivos” por ela ter cantado o hino nacional na abertura das Olimpíadas do Exército de 1972, o que lhe rendeu uma dura crítica do cartunista no jornal O Pasquim. O que ele não sabia é que Elis tinha sido ameaçada para fazer isso: Ou cantava nas Olimpíadas ou seu filho, João Marcelo, de 2 anos, iria sumir.
Anos depois, Elis e Henfil se tornaram amigos, e a interpretação dela pedindo a volta de Betinho em O Bêbado e a Equilibrista também pode encarada como uma forma de se redimir com o cartunista.
Betinho voltou ao Brasil ainda em 1979 e, quando desembarcou no Aeroporto de Congonhas, se declarou com mais ou menos duzentas pessoas cantando O Bêbado e a Equilibrista, que ele mesmo havia dito ao irmão quando ouviu pela primeira vez, pelo telefone, no México, que esse seria o hino da revolução deles. E ele estava certo, pois essa música realmente é lembrada até hoje como o hino da anistia.

O vídeo abaixo mostra Elis interpretando O Bêbado e a Equilibrista no Fantástico.

Semana Tom Jobim

Samba do Avião
Podemos dizer que a história dessa música é no mínimo curiosa. Para quem não sabe, o compositor do Samba do Avião, Tom Jobim, tinha pavor de andar de avião, mas foi obrigado a entrar em um em 1962, quando foi convidado para cantar no concerto da Bossa Nova no Carnegie Hall, na cidade de Nova York.
Além de Tom Jobim, outros brasileiros conhecidos que faziam parte da turma da Bossa Nova, como por exemplo, João Gilberto, Agostinho dos Santos, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Luís Bonfá e Sérgio Mendes também se apresentaram no evento.
A música, mais do que uma declaração de amor ao Rio de Janeiro e alegria de voltar para sua terra natal (Tom nasceu na Tijuca, Zona Norte do Rio), era na verdade um alívio por voltar são e salvo e saber que “dentro de 1 minuto estaria no Galeão”, ou seja, em terra firme.
Curiosamente, esse mesmo aeroporto Galeão que Tom Jobim citou em sua música, foi rebatizado em 1999, quase 5 anos após sua morte, de Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/ Galeão – Antônio Carlos Jobim.  

O vídeo abaixo mostra a apresentação de Tom Jobim com a Banda Nova em Montreal, no ano de 1986.

Semana Tom Jobim

Chega de Saudade

Além de um ser o título de um disco antológico para a MPB por ser o lançamento oficial da Bossa Nova e o primeiro LP de João Gilberto, em 1959, Chega de Saudade é também o nome de uma música, composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes.
A música foi gravada primeiramente por Elizeth Cardoso em seu LP Canção do amor demais, cujas canções eram da dupla Tom Jobim e Vinícius de Morais e que contava com a participação de João Gilberto ao violão nas músicas Chega de Saudade de Outra Vez.
A gravação da canção feita por Elizeth Cardoso em 10 de Julho de 1958, com arranjos de Tom Jobim, se tornou conhecida como o primeiro registro fonográfico daquilo que mais tarde se tornaria a Bossa Nova.
Apesar de ter sido ser gravada por outros cantores, Chega de Saudade ficou conhecida mesmo foi na voz de João Gilberto, que soube dar um tom intimista na medida certa à música, que inaugurou a era de “o amor, o sorriso e a flor”. Ele lançou a música inicialmente em um compacto simples pela gravadora Odeon, em 1958.

No vídeo abaixo está a gravação de Chega de Saudade feita por Elizeth Cardoso em 1958.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Conversando no Bar
A música, que é mais uma da vitoriosa parceria de Milton Nascimento e Fernando Brant, falava sobre as lembranças que a companhia aérea Panair do Brasil deixou na memória de seus funcionários e também de todos que utilizavam seus serviços, que foram interrompidos abruptamente em 1965, pouco depois de os militares assumirem o governo do país.
A música foi lançada em 1974 por Elis Regina no LP Elis, no qual ela gravou outras composições dos dois. No dia 25 de agosto do mesmo ano, ela cantou essa música na inauguração do Teatro Bandeirantes.

Comentário:
Essa, que é a minha música preferida de Milton Nascimento e Fernando Brant, é na verdade um enorme ato de coragem tanto dos compositores quanto de Elis, que foi a primeira a gravar Conversando no Bar e cantá-la em público, em uma época em que a censura e a Ditadura Militar estavam em sua fase mais dura e, além disso, essa mesma Ditadura foi a responsável pelo fechamento da Panair para favorecer a companhia aérea Varig, cujos donos apoiavam o golpe de 64.

O vídeo abaixo mostra a interpretação de Conversando no Bar em 1980, no especial Série Grandes Nomes.

Repeteco: Aguenta Coração


A música do já consagrado cantor José Augusto, Aguenta Coração, foi o tema de abertura da novela Barriga de Aluguel, exibida pela Rede Globo em 1990, transformando – se no maior sucesso do cantor romântico, que até hoje canta a música em seus shows.
A música retrata bem uma das principais tramas da novela: Clara, uma dançarina, serve de Barriga de Aluguel para a jogadora de vôlei Ana e o marido Zeca, que não podem ter filhos.
No início, ela aceita carregar o filho do casal em sua barriga apenas por dinheiro, pois tem problemas financeiros, mas na medida em que a gravidez vai avançando, ela acaba se apegando a criança de tal forma que acaba lutando na justiça para ficar com ela.
Barriga de Aluguel está sendo reprisada desde dezembro, de segunda a sexta, às 16h30 pelo Canal Viva.





quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Saudosa Maloca
Composta por José Rubinato, vulgo Adoniran Barbosa, em 1951, a música conta um fato que Adoniran testemunhou como repórter musical: a história de dois feirantes que foram despejados de um cortiço, cujo destino era a demolição.
Na canção, três sem teto estão desesperados pelo fato de que a casa em que passaram os melhores dias de suas vidas seria demolida para que um prédio fosse construído em seu lugar, o que era bem comum naquela época.
A música, que foi gravada por Adoniran ainda em 1951, só se tornou um grande sucesso após ser interpretada pelo grupo Demônios da Garoa, em 1955, que até hoje ainda é o maior divulgador da obra do compositor.
Saudosa Maloca foi uma das músicas que Elis Regina cantou, com a participação de Adoniran em um especial da Rede Bandeirantes, exibido em 1978. Além disso, ela fez parte do repertório do LP Transversal do Tempo, lançado pela cantora também no ano de 1978.

O vídeo abaixo o especial da Bandeirantes, de 1978, no qual Elis e Adoniran passeiam pelo bairro do Bexiga enquanto toca a música na voz dela.

Semana Tom Jobim

Sabiá
A música de Chico Buarque e Tom Jobim, que representa até hoje um saudosismo da terra natal muito comum nos tempos do exílio, foi praticamente uma premonição do viria a acontecer no Brasil a partir de 1968, até mesmo com o próprio Chico Buarque.
Sabiá também foi responsável pela única vez em que o já consagrado Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, vulgo Tom Jobim, pisou em um palco de Festival de Música Popular Brasileira, o que foi uma experiência desastrosa.
Com uma concorrente altamente contrária a Ditadura Militar, a derrota da revolucionária Pra não dizer que não falei das flores, também conhecida como Caminhando, para Sabiá no III Festival  Internacional da Canção provocou um acesso de fúria tão grande no público que, quando Tom Jobim e Chico Buarque entraram no palco para acompanhar Cynara e Cybele na apresentação da música campeã, eles foram duramente vaiados, de modo que foi necessário que Geraldo Vandré, compositor da música que o público tanto se identificava, entrasse no palco para defender os dois acuados compositores.
Sabiá também foi motivo de discórdia entre os dois compositores, pois quando Chico mostrou a letra da música a Tom, este achou que as referências a Sabiá na canção deveriam ser feitas no feminino. Além disso, Tom também quis acrescentar mais versos porque achava que a letra da música estava muito pequena. A versão com as alterações de Tom Jobim, apesar de ter sido gravada, mas acabou sumindo depois.

O vídeo abaixado mostra a Final Internacional do III Festival Internacional da Canção, na qual Sabiá foi novamente vencedora (e outra vez vaiada injustamente).

Dica de Quinta: Ai Se Eu Te Pego

Apesar de ter sido lançado em Julho do ano passado, o pop sertanejo Ai Se Eu Te Pego, de Antonio Dyggs e Sharon Acioly, ainda faz bastante sucesso, além de ter feito de Michel Telo rapidamente um astro internacional, principalmente pelo de fato de jogadores de Futebol comemorar gols dançando a música. O tenista Rafael Nadal também comemorou vitórias ao som de Ai Se Eu Te Pego.
A música, que é o single do 3° álbum do cantor sertanejo, Michel na Balada, alcançou o topo de várias paradas de sucesso de outros países, como por exemplo, da Espanha, Holanda e Itália, ficou entre as dez da Suíça e é a música brasileira mais acessada do youtube, com mais de 100 milhões de visualizações.
Entretanto, essa não é a versão original da música. A primeira, feita em 2008, foi uma versão funk composta por Sharon Acioly, que também compôs o funk Dança do Quadrado. A música, que se tornou sucesso na região com o grupo Meninos do Seu Zeh, chamou a atenção do grupo de forró Cangaia do Jegue. Em 2010, a música virou sucesso na Bahia, atraindo assim a atenção do grupo cearense Garota Safada, rendendo assim a terceira versão de Ai Se Eu Te Pego.
A famosa versão de Michel Teló, que é uma mistura de pop e sertanejo foi feita em 2011, cujo vídeo, gravado em um barzinho durante o show do dia 20 de Julho, foi lançado oficialmente em 25 de Julho do mesmo ano e já rendeu versões até mesmo em outros idiomas.
Em 12 de dezembro de 2011, Ai Se Eu Te Pego, juntamente com Não existe amor em São Paulo, do rapper Criolo, foi eleita a Melhor Música Nacional pela Billboard Brasil.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Elis & Tom

Águas de Março
No dia em que Tom Jobim faria 85 anos, eu não poderia escolher outra música que não fosse Águas de Março para falar, até porque, com o perdão do trocadilho, ela foi um divisor de águas na carreira de Elis.
Curiosamente, essa música foi composta numa época em que Tom Jobim estava depressivo, por conta da perseguição política que sofreu após se retirar, juntamente com os principais compositores da época, do sexto Festival Internacional da Canção, o FIC, organizado pela Rede Globo, que desde aquela época tinha relações muito boas com a Ditadura Militar. Além disso, ele também achava que mais ninguém ouvia seus discos.
O esboço do que se tornaria a grande Águas de Março começou a ser feito no sítio de Tom, que ficava na Região Serrana do Rio de Janeiro. A letra definitiva terminou de feita quando ele voltou ao Rio, em apenas uma tarde.
A música, que teve várias versões tanto no Brasil quanto no exterior, foi eleita como a melhor canção brasileira de todos os tempos, em pesquisa conduzida pela Folha de S. Paulo em 2001 e ficou com o segundo lugar na pesquisa realizada pela edição brasileira da revista Rolling Stone em 2009, cujo primeiro lugar foi dado à música Construção, de Chico Buarque.
Elis Regina gravou Águas de Março inicialmente em seu compacto simples de 1972, e a música também fez parte do repertório do LP Elis, também de 72. Dois anos mais tarde, ela e Tom Jobim gravaram em Los Angeles o antológico LP Elis & Tom, em comemoração aos 10 anos de Elis Regina na gravadora Philips, no qual Águas de Março não poderia deixar de ser a primeira faixa.      

O clássico Águas de Março, que ficou marcado pela interpretação desses dois gigantes da MPB, esteve em cinco LPs e um compacto de Elis Regina durante a década de 1970.

O vídeo abaixo mostra a antológica interpretação de Águas de Março por Elis Regina e Tom Jobim no Fantástico, em 20 de Outubro de 1974.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Maria, Maria
A música, cujo título é um dos nomes mais comuns do Brasil, exalta a força presente na figura feminina em si, e que na letra as representa através da mulher que carrega esse nome, dizendo que ela “merece viver e amar como outra qualquer do planeta”.
Conhecida como uma das mais famosas músicas da bem sucedida parceria entre Milton Nascimento e Fernando Brant, o título Maria, Maria também pode ser uma alusão à mãe de Jesus quanto a do próprio Milton Nascimento, que morreu quando ele tinha 4 anos.
Entre as principais regravações dessa música, que foi lançada em 1978, está a de Elis Regina, que por acaso teve uma filha a quem deu o nome de Maria, só que acompanhado de Rita. Ela gravou essa música no LP Saudade do Brasil, de 1980, transformando-a em um dos maiores sucessos de sua carreira.
Além disso, a música foi tema de abertura de uma novela também chamada Maria, Maria, que foi exibida pela Rede Globo em 1978.

O vídeo abaixo mostra Elis Regina cantando Maria, Maria na Noite Brasileira do Festival de Jazz em Montreux, Suíça, em 20 de Julho de 1979.

Semana Tom Jobim

Garota de Ipanema
A música, que até hoje é uma das famosas canções brasileiras no mundo, foi composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes em 1962, quando eles se inspiraram ao ver a modelo Helô Pinheiro andando de biquíni pela Praia de Ipanema.
Curiosamente, a letra que conhecemos não é a original, uma vez que Vinícius já havia feito uma letra anteriormente, que não foi aprovada nem por ele e nem por Tom.
Ao longo desses quase 50 anos de existência, Garota de Ipanema já ganhou outras versões (inclusive instrumental) e foi gravada por intérpretes de vários estilos, indo de Amy Winehouse a Frank Sinatra.
Atualmente, a música, na voz de Daniel Jobim e Xuxa, é o tema de abertura da novela de Miguel Falabella, Aquele Beijo, que é exibida pela Rede Globo às 19h.

O vídeo abaixo mostra imagens da apresentação que Tom, Vinícius e João Gilberto fizeram de Garota de Ipanema no Au Bon Gourmet em 2 de agosto de 1962.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Especial Tom Jobim

Em homenagem aos 85 anos que Tom Jobim faria na próxima quarta, dia 25, o Cardápio Musical terá a partir de amanhã  a Semana Tom Jobim, na qual eu postarei 10 músicas que transformaram Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim em um dos principais compositores da MPB.

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Romaria
Uma das músicas mais famosas interpretadas por Elis Regina, Romaria, que foi composta por Renato Teixeira alguns anos da gravação da mesma por Elis, tem uma letra bem simples, mas que agrada as pessoas justamente pelo fato de não ser uma tentativa desesperada de chamar a atenção do mercado fonográfico.
A letra da música se preocupou em retratar a história de uma pessoa que, depois de ter passado por diversos dissabores na vida, não tem perspectiva alguma para o futuro. Além disso, Renato Teixeira fez em Romaria o contraste da falta de crença numa vida melhor com a fé das pessoas que participam de romarias, que é o refúgio no qual o personagem tenta buscar um pouco de esperança. Algo bem típico da música sertaneja que o compositor já vinha abordando em outras letras, estilo que passou a adotar desde os primeiros anos da década de 1970.
Para quem não sabe, Romaria é uma peregrinação feita geralmente para pedir, agradecer graças ou fazer promessas. Esse nome faz alusão à capital da Itália, Roma, onde fica a sede da Igreja Católica Apostólica Romana, e por esse motivo é usado para denominar peregrinações feitas pelos católicos.
Elis Regina se apresentou com essa música pela primeira no programa Fino da Música número 3, promovido pela Rádio Jovem Pan, em 25 de Julho 1977, no Palácio de Convenções Anhembi – São Paulo, com direito a participação de Renato Teixeira, que viu sua carreira deslanchar após Elis colocar Romaria em seu LP Elis, lançado ainda no ano de 1977.

O vídeo abaixo é uma gravação do show Transversal do Tempo no Teatro Villaret, em Lisboa (Portugal), no ano de 1978.

domingo, 22 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Carinhoso

Uma das músicas antigas mais famosas, Carinhoso tem uma história bem curiosa. A música foi escrita por Pixinguinha em 1917, mas ficou guardada cerca de 10 anos por conta de ser diferente dos outros choros, tendo duas partes ao invés de três e sendo classificada inicialmente por seu compositor como uma polca lenta.
Antes de ganhar a letra que hoje conhecemos como um grande clássico, Carinhoso foi gravada como música instrumental 3 vezes e não era conhecida pelo público até a metade da década de 1930.
A música finalmente ganhou sua letra em 1936, quando a atriz e cantora Heloísa Helena sugeriu a Braguinha que pusesse versos na canção instrumental Carinhoso para que pudesse se apresentar com ela em um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, promovido pela primeira dama com intenções beneficentes.
Depois dessa apresentação, Carinhoso se tornou um clássico da MPB e foi gravada pela primeira vez em 1937, pelo já famoso Orlando Silva, sendo gravada mais de duzentas vezes desde então.
Elis Regina, que a essa altura já era considerada a cantora revelação dos Festivais de Música Popular Brasileira, gravou esse clássico da MPB em 1966, que alguns anos depois fez parte de outro LP da cantora.

Comentário:

Eu ainda era criança na primeira vez que ouvi essa música na voz de Elis, quando ela fez parte da trilha sonora da novela Fascinação, que hoje está sendo reprisada de novo pelo SBT.

LP Elis, de 1966, e  também o outro LP do qual Carinhoso fez parte, que trazia os principais sucessos da cantora até então, o LP A Arte de Elis Regina, de 1975.

O vídeo abaixo mostra Elis cantando Carinhoso no Segundo Festival de Choro da Rede Bandeirantes, em 1978.

sábado, 21 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

O que foi feito devera
Composta por Márcio Borges, Fernando Brant e Milton Nascimento, o que foi feito devera é uma das músicas que mais faz alusão ao período negro da Ditadura Militar, uma vez que os compositores deixam claro através do diálogo entre amigos que os sonhos foram juvenis foram perdidos.
Além da perda dos sonhos, é possível perceber claramente que há a certeza de que os planos feitos no passado não se concretizaram, dando lugar a uma enorme sensação de vazio e, por mais que o personagem da música não admita, também de frustração.
O que foi feito devera fez parte da novela Esperança, de 2002, e da minissérie Queridos Amigos, que se encaixa perfeitamente com a letra da música porque o protagonista buscava reunir os amigos da juventude e incentivá-los a resgatar os sonhos da juventude que eles abandonaram no passado e realizá-los na maturidade. 

A música foi gravada por Elis Regina nos LPs Saudade do Brasil, Elis, ambos de 1980) e também no LP Trem Azul, que foi lançado após a morte da cantora.


O vídeo abaixo mostra Elis cantando essa música no Série Grandes Nomes, exibido pela Globo em 3 de Outubro de 1980.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Doce de Pimenta

Para homenagear a sua mais nova amiga de infância e também agradecê-la por ter sido a única pessoa a visitá-la quando estava na cadeia e dado total apoio após sua liberdade, Rita Lee escreveu, em parceria com o marido, Roberto de Carvalho, a música Doce de Pimenta para Elis Regina.
Apesar de se conhecerem há muitos anos por conta de ambas terem participado de Festivais de Música que ocorreram na década de 1960, a princípio elas sequer se falavam, uma vez que Elis era contra a turma da qual Rita Lee fazia parte, chegando até mesmo a liderar uma passeata contra as guitarras elétricas em julho de 1967.
Essa situação só mudou mesmo quando Rita, acusada de ter maconha em casa, foi presa em agosto de 1976, chegando a ter um princípio de aborto. E foi justamente nesse dia que Elis apareceu por lá em companhia dos filhos para defendê-la, exigindo que um médico fosse ver se está tudo bem com a mais nova amiga e seu bebê.
Sabendo da péssima situação financeira em que Rita Lee estava após a prisão, Elis pediu que lhe fizesse músicas e a convidou para participar de um especial na Rede Bandeirantes, na qual Rita cantou Jardins da Babilônia e as duas interpretaram Doce Pimenta, nascendo assim uma amizade tão grande que quando nasceu sua filha mais nova, Elis não teve dúvida: pôs o nome da menina de Maria Rita em homenagem a amiga, pois era assim que ela chamava Rita Lee.
Outra curiosidade que só foi revelada recentemente é que, na época em que Elis Regina morreu, ela e Rita Lee estavam compondo uma música juntas, que seria a primeira composição de Elis, mas que infelizmente, além de não ter sido concluída, se perdeu com o passar dos anos.
Contudo, apesar do sucesso que Doce de Pimenta fez no especial da Bandeirantes, ela jamais foi gravada por nenhuma das duas em estúdio.

O vídeo abaixo mostra o especial da Bandeirantes, de 1978, no qual Rita Lee fala a Elis sobre quando ela foi presa, além de, é claro, mostrar as duas cantando Doce de Pimenta.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Um Dia

Acho que não é novidade para ninguém que hoje faz 30 anos que Elis Regina morreu e que todo mundo que mora no Brasil já ouviu pelo menos uma vez na vida uma música na voz dela.
Por conta de datas redondas como essa, os principais jornais do país, emissoras de TV, rádio e até sites resolveram prestar sua homenagem – e se aproveitar disso atrair mais leitores e audiência, usando a desculpa de que precisa falar da importância da maior cantora do país na Música Popular Brasileira.
Essa iniciativa poderia ser realmente apenas um gesto de incentivo à cultura, mas infelizmente não é. Se a mídia quer tanto ressaltar a importância de Elis Regina na música, porque só se lembrou de apresentá-la ao público quando fez 5, 10, 15, 20, 25 e agora 30 anos de sua morte? E porque também dá mais destaque ao lançamento de CDs remasterizados do que a própria história da cantora?
Isso é algo que precisa ser repensado com urgência, antes que as pessoas esqueçam de vez que por trás de CDs, shows e matérias de jornal e TV existiu uma pessoa que além de ter de ser respeitada por sua obra, não merece ser usada apenas para obter lucros.
Outra coisa que me incomoda bastante nessas “homenagens” prestadas é a escolha das músicas que são citadas, pois embora ela tenha deixado um imenso repertório disponível, sempre as mesmas músicas são escolhidas. Tudo bem que Como Nossos Pais, Arrastão, Romaria e O Bêbado e a Equilibrista são músicas maravilhosas, foram grandes sucessos de sua carreira e a maioria das pessoas já conhece, mas o problema é que há muitas músicas que deveriam ser conhecidas e não recebem o valor que mereciam por conta dessa falta de espaço.
Um bom exemplo disso é a homenagem prestada por Nelson Motta na semana passada,  em sua coluna do Jornal da Globo. Pra quem foi produtor de discos de Elis e ainda afirma que teve um relacionamento amoroso com ela, achei que muita coisa não foi dita e que o critério na escolha das músicas não foi bom, pois não havia necessidade de se falar tanto do LP Em Pleno Verão, que Nelson Motta produziu.
Em vez de dar tanta ênfase em trabalhos que ele produziu e em especiais da globo, ele deveria ter contado lembranças que tem dela, o que com certeza, além de chamar a atenção do público, estimularia as pessoas a procurarem saber quem foi essa mulher.
E falando em lembranças, agora chegou a hora de contar as minhas: eu conheci mesmo a obra de Elis através da carreira de Maria Rita, pois eu só assisti ao Por Toda Minha Vida porque morria de curiosidade para saber se eu conhecia alguma música da mãe dela.
Assistindo ao especial, descobri que não só conhecia várias das músicas como gostava de boa parte delas desde que era pequena, e que inclusive me lembrava de quando as ouvi pela primeira vez. Desse grupo de músicas de Elis Regina que me acompanham desde menina, três se destacam na minha memória: Como Nossos Pais, Me Deixas Louca e Redescobrir.
Quando passou a novela Estrela Guia, em 2001, eu, como boa fã de Sandy e Júnior, não só assistia à novela como não descansei até ganhar o cd da trilha sonora. Ao ver os nomes dos cantores na contracapa, eis que me deparei com um nome que nunca havia visto antes: Elis Regina. Eu, que naquela época tinha 9 anos, não imaginava que aquele nome se tornaria tão comum na minha vida alguns anos depois.
Até então, apesar de adorar coisas que faziam sucesso naquele tempo como Sandy e Júnior, Chaves e Chiquititas, eu não era uma “fã de verdade”, daquelas que sabe tudo sobre a vida do artista. Talvez porque me faltasse algo que eu realmente pudesse admirar naquelas coisas todas que faziam sucesso. Algo que me fizesse sentir fascinação.
Ao ouvir Como Nossos Pais pela primeira vez, eu não gostei da música porque além de não se parecer com nada a que eu estava acostumada, eu não conseguia entender praticamente nada da letra. E assim foi meu primeiro “contato oficial” com a obra de Elis Regina.
Entretanto, a voz da cantora me chamou bastante atenção por ser bonita e diferente das cantoras que eu conhecia. E também porque eu tive a sensação de que já conhecia aquela voz, o que era pouco provável porque, além de não ser comum uma menina de 9 anos ouvir esse tipo de música, já não se tocava muitas músicas de Elis e, também, eu não sabia, mas havia quase 20 anos que aquela cantora havia morrido. E  que apesar de gostar tanto de suas músicas, eu nem ao menos cheguei a viver no mesmo mundo que ela...
Alguns anos depois, eu descobri que realmente conhecia aquela voz, quando também descobri que aquela era a mesma cantora de Me Deixas Louca, Alô Alô Marciano, Romaria, Redescobrir, O que foi feito devera...
Me Deixas Louca me faz voltar ao ano de 2003, quando ainda estudava no Colégio Militar e, como ia de carona com uma professora que era fã de Elis, várias vezes ouvi essa música no carro dela. Mas uma vez, eu tinha a sensação de conhecia aquela voz de algum lugar, sem perceber que aquela era a mesma voz de Como Nossos Pais.  
Mas, como eu disse alguns parágrafos acima, Como Nossos Pais foi meu primeiro contato oficial com Elis Regina, mas não foi o primeiro na realidade. A minha história com ela começou em dezembro de 1996, quando eu tinha 5 anos. Naquela época, uma música cantada por ela em 1980, Redescobrir, era o tema de abertura de uma novela do SBT, chamada Razão de Viver.
Me lembro que no dia do penúltimo capítulo dessa novela, de tarde, o rádio estava ligado e eu estava brincando, quando de repente, começou a tocar essa música: “Como se fora brincadeira de roda/ memória/ jogo do trabalho na dança das mãos/ magia...”
 Eu não sei explicar se foi por causa da letra ou pela voz, mas eu parei de brincar e fiquei na frente do rádio ouvindo aquela música, que mesmo sem saber quem cantava, ficou marcada na minha memória desde aquele 5 de dezembro de 1996, quando eu ouvi pela primeira vez aquela que ainda hoje é a minha música preferida.
E é por esse motivo que a música que eu escolhi pra hoje, que faz parte das 30 músicas de Elis Regina que entraram para a história, é  Redescobrir.

Composta por Gonzaguinha, Redescobrir fez parte do repertório do show e do último LP lançado antes da morte de Elis Regina, Saudade do Brasil, de 1980, pois o LP Trem Azul, o último gravado em estúdio, infelizmente foi lançado após a morte da cantora, exatamente há 30 anos.
Além disso, Redescobrir, cujo vídeo está abaixo, foi a última música do repertório do especial Série Grandes Nomes “Elis Regina Carvalho Costa”, exibido pela Rede Globo em 3 de Outubro de 1980.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Mestre Sala dos Mares

Composta por João Bosco e Aldir Blanc, a música, que falava sobre a importância da Revolta da Chibata, enaltecia os piratas e também era uma homenagem a João Cândido, foi muito confundida com sambas-enredos e censurada, foi gravada no disco Elis, de 1974.
Em 1985, a música, que a essa altura já era conhecida como um dos maiores sucessos da carreira de Elis Regina, se tornou tema do enredo “Noite do Navegante Negro”, da Escola de Samba carioca União da Ilha.

Comentário:

Mestre Sala dos Mares foi uma das músicas mais criticadas quando foi feito o Som Brasil em homenagem a Elis Regina, em 1997, por conta da escolha de Ivete Sangalo, até então uma mera cantora de axé, que de longe é um dos estilos musicais mais execrados não só pela mídia  especializada como também por boa parte do público (em especial os fãs de Elis) para interpretá-la.
Entretanto, na minha opinião, Ivete não só fez uma boa interpretação como também não merece ser tão criticada por cantar – e mais tarde gravar – músicas do repertório de Elis Regina.

O vídeo abaixo mostra Elis Regina interpretando Mestre Sala dos Mares na inauguração do Teatro Bandeirantes, em 25 de agosto de 1974.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Nada será como antes 
Gravada por Elis Regina em 1972, Nada Será Como Antes retrata a situação vivida pela população do país naquela época, pois não se podiam ter muitas notícias a respeito das pessoas que precisaram deixar o país e nem ideia de qual destino essas pessoas teriam.
Curiosamente, uma das pessoas que fazia parte do grupo de exilados sem perspectiva de futuro era o irmão de um dos compositores de Nada Será Como Antes, que foi a principal inspiração de Ronaldo Bastos para escrever a letra da música, cuja melodia foi feita por Milton Nascimento.
A música também foi o tema de abertura da minissérie Queridos Amigos, de 2008, só que na voz de Milton Nascimento.
A música Nada Será Como Antes foi gravada em 3 LPs da Cantora: Me deixa em paz, Elis (ambos de 1972) e a coletânea O melhor de Elis (1979). 


O vídeo abaixo mostra Elis Regina cantando essa música na quarta edição do programa Elis Regina Especial (1971).

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Aos Nossos Filhos
Composta por Ivan Lins e Vitor Martins, essa, por conta de sua intensa carga emocional, é uma das músicas mais emocionantes que Elis cantou em sua carreira.
Além de ter sido gravada por Elis Regina no LP Saudade do Brasil, ela teve uma versão anterior a essa interpretada pela cantora, que consistia em um vídeo e que fez parte de um especial para a Rede Bandeirantes, em 1978.
A música é como se fosse uma carta aos filhos, pedindo-lhes perdão por todas as privações que eles passam por causa dos pais, o que provavelmente deve fazer alusão também aos artistas, já que os filhos deles não conseguem ter uma vida normal.

Comentário:
Essa é a música de Elis que mais mexe comigo, pois toda vez que a ouço, não tem como não pensar que a pessoa que eu estou ouvindo cantar infelizmente não teve a chance de terminar de ver o crescimento de seus três filhos.
Apesar da morte de Elis ter acontecido enquanto os filhos dela ainda eram pequenos, essa música chegou a ter semelhanças com sua vida pessoal. Segundo a biografia escrita por Regina Echeverria, eles passavam boa parte do tempo viajando com ela e César Camargo Mariano, chegando até mesmo a perguntar o motivo pelo qual não podiam ir para a casa onde estava o cachorro São Bernardo da família, que ficava na Serra da Cantareira.

O vídeo abaixo mostra Elis Regina se apresentando com essa música no Série Grandes Nomes, de 3 de Outubro de 1980.

domingo, 15 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Atrás da Porta 

Uma das mais belas canções da Música Popular Brasileira, Atrás da Porta tem uma história bastante incomum. Ela, que foi a primeira parceria entre Chico Buarque e Francis Hime, nasceu em uma reunião de amigos, quando Francis, que morava nos Estados Unidos, veio passar férias no Brasil.
Na verdade, essa é a história de uma apenas parte da música, pois Chico Buarque só conseguiu terminá-la após algum tempo, imediatamente depois de ouvir a primeira parte da letra na voz de Elis e ter uma crise de choro.
Aliás, a relação entre a cantora e a música também foi bastante intensa, uma vez que ela passava por situação semelhante a da história contada na música em sua vida pessoal, pois havia acabado de se separar de seu primeiro marido, Ronaldo Bôscoli, e estava fragilizada por conta disso.
Porém, existia uma diferença entre a história de Atrás da Porta e a sua: na época em que se separou, Elis não amava mais Ronaldo e sim o pianista César Camargo Mariano, que mais tarde viria a ser seu segundo marido e pai de seus dois filhos mais novos.
  Atrás da Porta fez parte do repertório de quatro CDs da pimentinha durante a  década de 1970: Me deixa  em Paz, Elis (ambos de 1972), A Arte de Elis Regina (1975) e O Melhor de Elis (1979).

Com a letra finalizada, a música esteve presente nos dois LPs lançados por Elis Regina em 1972 e se tornou uma das músicas que são mais lembradas pelas pessoas assim que seu nome é pronunciado e, para desgosto de boa parte de seus fãs, acabou sendo gravada também por muitos outros cantores.
Além disso, fez parte da trilha sonora das novelas De Corpo e Alma (1992), Canavial de Paixões (2003) e da minissérie O Quinto dos Infernos (2002).

Comentário:

Quando ouvi essa música pela primeira vez na novela, em 2003, eu não gostei da música porque além de achá-la muito triste, eu odiava a personagem, que era uma das piores vilãs que eu tinha visto até então.
Entretanto, a voz daquela cantora chamava a minha atenção, porque eu tinha a sensação de que a conhecia, mas não fazia a menor ideia de quem era. Naquela época, pouco se falava de Elis Regina e eu, como tinha só 11 anos, nem imaginava que estava diante de um clássico da MPB e que conhecia aquela voz desde que tinha 5 anos, do que me dei conta apenas quando assisti ao Por Toda Minha Vida para descobrir quais músicas da “mãe da Maria Rita” eu conhecia.

O vídeo abaixo mostra a antológica apresentação dessa música por Elis Regina no Série Grandes Nomes "Elis Regina Carvalho Costa", exibido pela Rede Globo em 3 de Outubro de 1980.

sábado, 14 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Madalena
Apesar de não ser uma das gravações mais “recentes” de Elis Regina, Madalena é uma das músicas mais famosas em sua voz que o público lembra com carinho até hoje por ter sido um marco não só em sua carreira como também na de seus compositores.
A música, que ficou marcada como o primeiro sucesso de Ivan Lins, foi composta por ele em parceria com Ronaldo Monteiro de Souza, sendo gravada por Elis pela primeira vez em 1970, em um compacto duplo que fez de Madalena um sucesso nacional.
Aliás, compacto do qual também fazia parte a música Vou Deitar e Rolar, que eu postei há dois dias aqui no blog (Para ver o post da música, clique aqui: http://vitrinempb.blogspot.com/2012/01/30-musicas-de-elis-regina-que-entraram_12.html).
No ano seguinte, a já consagrada música fez parte do LP Ela junto com outra composição da dupla Ivan e Ronaldo, chamada “Ih! meu deus do céu”.


Os três álbuns de Elis Regina dos quais Madalena fez parte na década de 1970.

Quatro anos depois, Madalena novamente voltou a fazer parte de um álbum de Elis Regina. Dessa vez, o álbum na verdade era uma coletânea com grandes sucessos da cantora até então, como por exemplo, Aquarela do Brasil, Arrastão e o Pout Pourri com Jair Rodrigues no Teatro Paramount, feito dias depois da vitória com Arrastão no I Festival da Excelsior, em 1965.

O vídeo abaixo mostra Elis Regina cantando Madalena em sua apresentação na Noite Brasileira do Festival de Jazz em Montreux (Suíça), em 20 de Julho 1979.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Amor até o fim 
A música, que fala sobre o amor eterno e do quanto ele precisa ser bem cuidado para crescer e durar até o fim da vida, foi gravada por Elis Regina no disco anterior ao antológico Elis & Tom, ambos lançados em 1974.
Anos mais tarde, mais precisamente em 1981, ela interpretou essa mesma música de maneira arrepiante com outra grande estrela da MPB, Gal Costa, quando esta a convidou para o especial do Série Grandes Nomes que levava seu nome, o “Maria da Graça Costa Penna Burgos”.
E agora, uma curiosidade: 30 anos depois de Elis Regina ter interpretado Amor até o Fim no Festival de Jazz em Montreux (Suíça, em 20 de Julho de 1979), a filha dela, Maria Rita, fez um dueto com o compositor da música, Gilberto Gil, no DVD/ Álbum ao Vivo dele, que foi gravado no Teatro Bradesco do Shopping Bourbon, em  São Paulo.

O vídeo a seguir mostra o dueto de Elis e Gal no Série Grandes Nomes, exibido pela Globo em março de 1981.

Repeteco: Mais um na Multidão

Composta por Carlinhos Brown e Erasmo Carlos, a música, que ficou conhecida na voz de Marisa Monte e  de Erasmo, foi o tema de abertura da primeira novela feita em parceria entre o SBT e a mexicana Televisa, Pícara Sonhadora, exibida em 2001 e que começou a ser reprisada pela segunda vez essa semana.
Interpretada por Erasmo Carlos e Marisa Monte, a letra romântica da música combina tão perfeitamente com a história de amor dos protagonistas Mila e Alfredo que, além de ser a música de abertura da novela, também foi adotada como trilha sonora do casal.
Além disso, o título da música também pode ser comparado à situação dos personagens, já que a história gira em torno do milionário Alfredo Rockfield, que se passa por apenas um funcionário da loja onde a humilde Mila trabalha, quando na verdade é o filho de um dos donos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Vou Deitar e Rolar

A música, que é mais uma da parceria de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, fala sobre uma espécie de vingança particular depois do término de um romance, com direito a deboche e também uma leve pontada de ciúmes
Vou Deitar e Rolar foi gravada por Elis Regina em 1970 e, pelo que parece, ela pegou rápido o espírito da música, já que foi interpretada por ela em tom de provocação a Ronaldo Bôscoli dali em diante, uma vez que o casamento, que chegou ao fim 2 anos depois, já  não andava bem naquela época.
Primeiramente, Vou Deitar e Rolar foi gravada para um compacto duplo e foi incluída posteriormente no LP Em Pleno Verão, lançado no mesmo ano.

 Vou Deitar e Rolar, que fazia parte do compacto com as músicas Madalena, Fechado para balanço e  Falei e disse, foi incluída também no LP seguinte da cantora, Em Pleno Verão. 


O vídeo abaixo mostra Elis cantando a música no primeiro programa mensal que apresentou na Rede Globo em 1971, o Elis Regina Especial. 

Dica de Quinta: Roda Viva


A música, que foi composta pelo já consagrado Chico Buarque em 1967 quando ele começava a escrever a peça de mesmo nome, terminou em 3° lugar no III Festival Música Popular Brasileira da TV Record, sendo interpretada por Chico Buarque, o MPB 4 e o Som Três.
No ano seguinte, a peça Roda Viva, que foi dirigida por José Celso Martinez, se tornou um símbolo da violência da época, pois os integrantes do Comando de Caça aos Comunistas invadiram o teatro e, além de depredá-lo, espancaram o elenco da peça.
Atualmente, a música, por fazer alusão a censura, ao exílio e a ditadura, é o tema de abertura da novela Amor e Revolução, cujo último capítulo vai ao ar amanhã e se passa nos primeiros anos da Ditadura Militar, que ficaram conhecidos como Anos de Chumbo.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Aquarela do Brasil

Precursora do samba exaltação por ressaltar as qualidades do país e considerada uma das canções mais populares da história, Aquarela do Brasil foi composta por Ary Barroso em 1939, vindo a ser reconhecida mundialmente somente três anos depois, quando foi incluída na animação Saludos Amigos, da Disney.
Apesar do sucesso, a música rendeu muitas críticas a seu compositor, pois por causa dos elogios feitos ao Brasil na música, ele foi acusado de ser a favor da Ditadura Vargas, que era o regime que estava em vigor naquela época.
Mas, o que poucos sabem, é que o verso da música “terra de samba e pandeiro” foi censurado porque era considerado prejudicial à imagem do país, sendo necessário que o próprio Ary Barroso fosse ao Departamento de Imprensa e Propaganda, vulgo DIP, para convencer aos censores a manterem o verso.
Entre as principais regravações desse clássico da música brasileira se destacam as de Carmen Miranda, Gal Costa e Elis Regina, sendo que a versão desta última era acompanhada por um coral que reproduzia o canto dos índios que aqui viviam quando os portugueses chegaram em 1500.
Gravada por Elis no LP A Arte de Elis Regina, de 1975, a música também fez parte do repertório do consagrado espetáculo Falso Brilhante, que teve início do fim do mesmo ano, fazendo parte do mesmo Pout-pourri no qual se encontra, entre outras, a música Sing in the Rain, que eu postei há dois dias aqui no blog (Para ver o post da música Sing In The Rain, clique aqui: http://vitrinempb.blogspot.com/2012/01/30-musicas-de-elis-regina-que-entraram_09.html), estando também no repertório do Série Grandes Nomes de Elis Regina, de 1980.

Comentário:

Apesar achar a voz de Elis perfeita, preciso confessar que prefiro essa música sendo interpretada pela Gal Costa, porque além de ter sido com essa versão que conheci e aprendi a gostar da música, acho desnecessária a presença do coral que acompanha Elis. Mesmo sendo a representação dos índios e uma tentativa de dar mais realismo à letra, o coral atrapalha tanto o entendimento da música quanto a interpretação da cantora, sem contar que Elis grita além do necessário em alguns pontos da música. 
Apesar de tudo, como não poderia deixar de ser, a interpretação de Elis é tão boa que se destaca entre as várias versões que foram gravadas nesses mais de 70 anos que a música foi composta.

O vídeo abaixo mostra Elis Regina se apresentando com essa música no musical Série Grandes Nomes, de 1980.

  

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Travessia

Composta em 1967 pela dupla Fernando Brant e Milton Nascimento para o II Festival Internacional da Canção (FIC), da Rede Globo, a música foi interpretada por um dos compositores na fase nacional da competição, Milton Nascimento, que se tornou a revelação do Festival por ter as três músicas que compôs selecionadas (Moro Velho, Travessia e Maria, Tenha Fé), conquistando o 2° lugar do Festival com Travessia.
A ajuda de Elis foi fundamental para que Milton Nascimento se tornasse um compositor de sucesso, já que gravou várias músicas dele tanto sozinho quanto em parceria com Fernando Brant.
Ela, que já havia gravado uma música de Milton Nascimento em um LP no ano anterior, Canção do Sal, gravou Travessia pela primeira vez no mesmo ano do FIC, 1967, em um compacto simples intitulado “Elis Regina” e, alguns anos depois voltou a gravá-la, desta vez no LP Elis (1974).

O compacto gravado por Elis Regina em 1967 com a música e o LP Elis, de 1974, que, além de Travessia, tinha mais duas composições da dupla Milton Nascimento e Fernando Brant.

Comentário:
Travessia é, sem dúvida alguma, uma das mais belas composições feitas pela dupla Milton Nascimento e Fernando Brant e que foi vítima de uma injustiça muito grande quando perdeu para a marchinha Margarida no FIC, pois além de a letra ser superior a da canção vitoriosa, foi um enorme desperdício não premiar o compositor revelação daquela edição do Festival.

O vídeo abaixo mostra Elis Regina interpretando a música Travessia na inauguração do Teatro Bandeirantes, em 12 de Agosto de 1974.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Singing in the Rain

A música, que se tornou mundialmente conhecida através da interpretação de Gene Kelly em “Cantando na Chuva” (1952), que é um dos musicais mais famosos do mundo cinematográfico, ganhou uma versão de Elis Regina durante o maior espetáculo de sua carreira, o Falso Brilhante (1975), no qual ela fez um Pout - Pourri com músicas que já eram conhecidas pelo público.
Apesar de a música até hoje ser uma lenda por conta do belo número que o ator interpretou enquanto a cantava, a versão feita na voz de Elis conseguiu se tornar inesquecível tanto pra quem teve a sorte de assistir o show ao vivo como pra quem viu apenas no DVD.
Além de Sing in The Rain, as outras músicas desse Pout - Pourri são Uno, Olhos Verdes, Volare (Nel Blu Dipinto di Blu), Hymne a l’ amour, la puerta, Gira, gira, Diz que tem, Canta Brasil, Aquarela do Brasil e O Guarani, do compositor campineiro Carlos Gomes.

Comentário:

Eu já gostava dessa música na voz do Gene Kelly, principalmente porque a dança que ele faz deixa a música mais incrível ainda e com certeza foi um dos motivos que transformou o filme em um eterno clássico do cinema.
Entretanto, confesso que foi uma surpresa quando vi essa música sendo cantada por Elis Regina no DVD do Falso Brilhante, pois além de não saber que ela havia interpretado essa música, me surpreendi bastante com sua interpretação, porque ela conseguiu dar um toque brasileiro à letra através da maneira de cantar.

O vídeo abaixo mostra  Elis cantando o Pout - Pourri no qual Sing in The Rain está incluído, durante a apresentação do espetáculo Falso Brilhante (1975) e que faz parte do DVD de mesmo nome (3° DVD do Box Elis, 2007).

domingo, 8 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Aquele Abraço

Conhecida até hoje como um clássico da Música Popular Brasileira por ser uma das mais belas músicas sobre a cidade do Rio de Janeiro, Aquele Abraço é uma composição feita por Gilberto Gil em 19 de fevereiro de 1969, quando ele estava dentro de um avião com destino a sua terra natal, Salvador.
Ambientada em uma quarta feira de cinzas, a música de Gil cita personalidades, escolas de samba, time de futebol e bairros da cidade, dando destaque a Realengo, onde ficava a prisão em que ficara mais de 1 mês e ouvia dos soldados a expressão que dá título a música, que na época era um bordão do comediante Lilico. Entretanto, alguns afirmam que o abraço citado na música se refere aos braços abertos do Cristo Redentor.
Além da homenagem que Gil fez à cidade, Aquele Abraço também ficou marcada por ter sido a última composição feita por ele antes de ir, junto com Caetano Veloso, para o exílio em Londres, de onde voltou em 1972.
A música foi gravada por Elis Regina em 1970, no LP ao vivo Elis no Teatro da Praia, com show produzido pela dupla Miele e Bôscoli.

sábado, 7 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Black is Beautiful

Gravada por Elis Regina no LP Ela, de 1971, a música composta pelos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle tinha o objetivo de mostrar que os negros não eram inferiores aos brancos (pelo contrário, dá a impressão de que são superiores) e, indiretamente, que é possível haver um relacionamento entre pessoas com cores de pele diferentes, pois a cor da pele é o que menos importa.
Aliás, um bom exemplo de que o conteúdo da música pode ser aplicado sem o menor problema fora das letras de música é a história dos cantores Nana Caymmi e Gilberto Gil, que apesar de terem sofrido bastante preconceito pelo fato de ela ser branca e ele negro, foram casados por algum tempo, se separando por conflitos gerados por ciúmes.

O vídeo abaixo mostra Elis Regina cantando essa música durante o primeiro Elis Especial, que foi um programa mensal que ela apresentou na Rede Globo entre setembro de 1971 a junho de 1972.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

Onze Fitas
Lançada por Elis Regina no disco Saudade do Brasil, de 1980, a música de Fátima Guedes faz alusão à situação instalada no país naquela época quando se refere a um assassinato sem motivo aparente, pois durante esse período ainda era comum ocorrerem crimes desse tipo.
Como essa música tinha conotação política, ela foi cortada da edição do programa musical Série Grandes Nomes estrelada por Elis Regina em 3 de Outubro daquele ano, sendo exibida pouco mais de um ano depois, em 6 de Novembro de 1981, em um programa que exibia somente trechos inéditos dos especiais do programa.
Curiosamente, Onze Fitas também foi cortada do DVD desse especial, lançado em 2005 e, por esse motivo, infelizmente poucos sabem que ela também fazia parte do repertório daquele especial.

Comentário:

Ano passado, quando ganhei o DVD do Série Grandes Nomes no meu aniversário, eu não imaginava que uma das músicas que fazia parte do repertório havia sido censurada duas vezes, porque o ato de simplesmente excluí-la do DVD é sim uma forma de censura, além de, é claro, ser uma injustiça com os fãs que não puderam assistir à gravação no estúdio.
Por sorte, eu conheci essa música quando comprei o cd Saudade do Brasil, e gostei dela logo na primeira vez que ouvi, mesmo tendo uma letra com conteúdo tão pesado, porque essa música é um ato de muita coragem não só da compositora como principalmente da cantora, pois não é qualquer pessoa que tem coragem suficiente de se apresentar em plena Ditadura Militar com uma música que aborde temas tão sérios. 

Segue abaixo a apresentação de Elis Regina com essa música no Festival de Jazz de Montreux, feita em julho de 1979.

Repeteco: Sexy Iemanjá


Composta por Pepeu Gomes, a Sexy Iemanjá foi a música de abertura do remake da novela Mulheres de Areia, que foi exibida originalmente em 1993 e está sendo reprisada agora pela Globo no Vale a pena ver de novo.
Escrita por Ivani Ribeiro, a novela, cuja primeira versão foi exibida pela TV Tupi em 1977, conta a história das gêmeas Ruth e Raquel, que apesar de serem idênticas tem o caráter completamente diferente. Raquel prova o quanto é uma má pessoa ao ter atitudes bastante cruéis, como por exemplo, roubar o namorado da irmã e se casar com ele apenas por interesse e atormentar o escultor Tonho do Lua, que tem problemas mentais.
Como a trama tem a cidade litorânea Pontal D’areia como pano de fundo, a música de Pepeu Gomes combinou perfeitamente com a história, pois assim como na novela, o mar tem bastante destaque. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história


Gracias a la vida 

Uma das composições mais famosas da chilena Violeta Parra é a canção folclórica "Gracias a la vida", que foi lançada em seu último disco, em 1966, e se tornou uma das músicas latinas mais regravadas da história.
Entre os principais artistas que regravaram essa música, duas artistas em especial merecem destaque: a argentina Mercedes Sosa, que foi a primeira a regravá-la, em 1971, em um álbum dedicado a compositora da música, intitulado “Homenaje a Violeta Parra”.
Como não poderia deixar de ser, a outra regravação da música que ganhou muita projeção foi a feita por Elis Regina em 1975, que fez parte do espetáculo mais importante de sua carreira, o Falso Brilhante, que ficou em cartaz de dezembro de 1975 a fevereiro de 1977. No ano seguinte, foi gravado em estúdio um álbum com algumas canções que faziam parte do  repertório do show, e Gracias a la vida foi uma das escolhidas.
Diferentemente de Violeta Parra, o objetivo de Elis Regina ao gravar essa música não era o de se mostrar grata a vida, e sim o de denunciar a Ditadura que Augusto Pinochet instalara no Chile anos antes através de um Golpe de Estado.


O vídeo abaixo mostra Elis Regina cantando Gracias a la vida durante a temporada do show Falso Brilhante.

Dica de Quinta: Cálice (Pitty)


Composta por Chico Buarque e Gilberto Gil numa época em que as várias vertentes da arte serviam como arma para protestar contra a Ditadura Militar que instalara no país em Março de 1964, Cálice é conhecida como um dos clássicos daquela época por conter mensagens subliminares condenando a censura e desabafando sobre o medo que tanto atormentava a população.
Um fato que vale a pena ser contado é que a perseguição às músicas de protesto era tão grande que o som dos microfones de Chico Buarque e Gilberto Gil foi simplesmente cortado quando eles tentaram cantar essa música durante o Phono 73, que foi um festival realizado pela gravadora Phonogram no Anhembi, em maio de 1973.
No início do ano passado, a música ganhou uma nova versão, gravada pela cantora Pitty, que faz parte da trilha sonora da novela Amor e Revolução, que aborda o período mais duro da Ditadura, que vai do Golpe de 1964 até a Revolta do Araguaia, em 1972, no qual as pessoas não podiam falar abertamente porque viviam amedrontadas pelas prisões e sumiços sem explicação dos considerados “subversivos”.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

30 músicas de Elis Regina que entraram para a história

O Barquinho

Considerada um clássico da Bossa Nova, a música foi composta em 1961 por Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, que além de ter sido um dos principais líderes do movimento, foi também namorado das cantoras Nara Leão e Maysa, sendo que o objetivo do relacionamento com a última era apenas promover suas composições.
Entretanto, a Bossa Nova que Ronaldo Bôscoli tanto se esforçou para divulgar chegou ao fundo do poço quando aquela que viria a ser sua esposa entrou em cena: Elis Regina, com quem ficou casado por quase 5 anos de muitas brigas (algumas públicas) e teve seu primeiro filho, o produtor musical João Marcelo Bôscoli.
Apesar de essa canção não pertencer nem de longe a seu estilo musical por idealizar uma vida tranquila e não conter mensagens de cunho político, Elis Regina gravou essa música pela primeira vez em 1969, quando passou uma temporada em Londres com o objetivo de consolidar uma carreira internacional.

Comentário: 

Essa foi uma das primeiras músicas que ouvi em fevereiro de 2009, quando comecei a procurar músicas que Elis Regina tinha gravado, e eu lembrei imediatamente quando li o nome pelo fato de que ela ter sido uma das músicas que apareceu na minissérie sobre a vida da Maysa, que eu havia assistido no mês anterior.


O vídeo abaixo mostra Elis Regina cantando a música composta pelo marido quando já estava praticamente separada dele, durante sua estada na Itália, no Teatro 10, em 1972.